Esta coluna nasceu da convicção de que a literatura não pode ser medida apenas por capas e ISBN, mas pela força das palavras, pela autenticidade das histórias e pela coragem de quem se lança no ofício de escrever.
“Autores em Revelação” é um espaço dedicado a quem ainda não publicou seu primeiro livro, mas já carrega dentro de si universos inteiros esperando para serem descobertos.
Aqui, abrimos as páginas desta revista para vozes que merecem ser
ouvidas, para textos que merecem encontrar seus leitores. São contos,
crônicas, poesias e narrativas de pessoas comuns que transformam o
cotidiano em literatura, que observam o mundo com olhar atento e o
traduzem em prosa e verso.
Cada edição traz novos talentos, novas perspectivas, novas formas de ver e contar a vida. Porque acreditamos que todo autor, antes de ser publicado, é simplesmente alguém que escreve – e escrever, por si só, já é um ato de revelação.
Convidamos você, leitor, a descobrir conosco esses autores que estão
começando sua jornada literária. Quem sabe um deles não se tornará seu
próximo escritor favorito?
Boa leitura e boas descobertas!
“Este conto foi pensado para ser lido ao som de “Midnight, the Stars and You” (Ray Noble & Al Bowlly).
Deixe a música tocar enquanto as luzes se apagam e descubra quem anda com você à noite.”
Salvador, 1974. As ruas já dormiam quando Bárbara, de trinta anos, deixava o escritório de contabilidade onde
trabalhava. As colegas sempre pegavam condução. Ela, a única a ir a pé. Atravessava a rua escura, o farol piscando, o
vento gemendo e arrastando folhas secas pelo chão. O som dos próprios passos ecoava na calçada fria.
Logo adiante, o cemitério. Aquele maldito cemitério.
Ela prendeu a respiração e acelerou.
De repente, uma silhueta emergiu dos portões de ferro. Um homem alto, de jaqueta preta, caminhava devagar,
assobiando uma melodia rouca.
“Deve ser o coveiro”, pensou. E apertou o passo para acompanhá-lo.
Quando ele se virou, o rosto era pálido demais.
“Boa noite, moça”, disse num tom grave, quase melódico.
Ela tropeçou, e ele a segurou. A mão era gélida, morta.
“Nossa, que mão fria, comentou”, rindo nervosa.
“Quando eu era vivo era mais quente”, respondeu o homem, sorrindo com dentes amarelados.
O riso dela morreu na garganta…
Gostou do nosso pequeno spoiler?
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